<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4533445684569851781</id><updated>2011-04-21T14:04:26.818-07:00</updated><title type='text'>Diego Doncel</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ed-averno23.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4533445684569851781/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ed-averno23.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Diego</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12926700743267698901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4533445684569851781.post-5593431309053702801</id><published>2007-12-30T10:26:00.000-08:00</published><updated>2007-12-30T10:37:21.959-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ninguém&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acordei toda a minha vida ao mesmo sonho&lt;br /&gt;e a cada instante tive de inventar-me quem era eu.&lt;br /&gt;Procurei-me sem paz, como a si procura um homem que guarda&lt;br /&gt;enormes quantidades de ansiolíticos no fundo dos seus bolsos&lt;br /&gt;e recomendações terapêuticas.&lt;br /&gt;Mas apenas encontrava o horizonte alucinado&lt;br /&gt;da psiquiatria a pôr ordem na minha alma, os paraísos químicos&lt;br /&gt;como forma de encontrar a verdade,&lt;br /&gt;os sonhos que se sonharam falsos ao serem sonhados e não quiseram existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah sim, sonhei-me sem trégua&lt;br /&gt;como um mendigo de sensações impossíveis,&lt;br /&gt;como alguém falho de amor que procura amor&lt;br /&gt;e acaba a chorar debaixo da intempérie absurda&lt;br /&gt;dos seus sentimentos. Como alguém que, debaixo dessa intempérie,&lt;br /&gt;saiu de si com o seu psiquismo sozinho e se procurou&lt;br /&gt;no outro, mas o outro não era nada:&lt;br /&gt;só esse horizonte de sacos de lixo à beira de todos os caminhos&lt;br /&gt;abertos no meu coração, e estabelecimentos alternativos&lt;br /&gt;para a cura de qualquer cansaço e de qualquer metafísica,&lt;br /&gt;estabelecimentos onde sempre se via um velho meditar&lt;br /&gt;o seu suicídio enquanto acariciava&lt;br /&gt;a tremer o colesterol da sua pança&lt;br /&gt;debaixo de uma camisa Cacharel de contrafacção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espectador irónico de mim mesmo&lt;br /&gt;nunca me conheci porque sempre duvidei que existisse.&lt;br /&gt;E alguém alheio a mim representava essa doce mentira de visitar o mundo&lt;br /&gt;e ver como a vida passa.&lt;br /&gt;A complexa maquinaria de um pássaro cantava nos ramos de uma magnólia&lt;br /&gt;como um profeta alucinado e não me revelava nenhuma verdade.&lt;br /&gt;As dálias e os lilases, com os seus vastos perfumes industriais,&lt;br /&gt;com as alterações genéticas da sua beleza&lt;br /&gt;apareciam no sonho quotidiano do que era real para mim,&lt;br /&gt;mas não significavam coisa nenhuma.&lt;br /&gt;Diferentes mulheres, com diferentes personalidades, com diferentes vidas por detrás,&lt;br /&gt;com símbolos diferentes do que poderia significar cada uma dessas vidas&lt;br /&gt;mostravam-se nos diversos canais informativos&lt;br /&gt;de uma loja de electrodomésticos&lt;br /&gt;a falar das suas tragédias como belos fantasmas&lt;br /&gt;sem que ninguém lhes prestasse nenhuma atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre o pó das coisas,&lt;br /&gt;como um vasto nevoeiro, sem ir a parte alguma.&lt;br /&gt;Sempre a irrealidade dos sentimentos,&lt;br /&gt;a irrealidade das percepções&lt;br /&gt;que revelam a tragédia de viver. Sempre o viver&lt;br /&gt;como algo sem propósito, sem nexo.&lt;br /&gt;Como algo emprestado e falso onde nos dias límpidos,&lt;br /&gt;no sonho dos dias límpidos, se podia fingir uma cidade&lt;br /&gt;e homens e talvez o alento de algo como a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes um pintassilgo regressava ali de não sei onde&lt;br /&gt;e a leveza do seu bico sobre as pétalas transmitia-me um pouco&lt;br /&gt;de calor. Um calor de existência.&lt;br /&gt;Por vezes surpreendiam-me os meus próprios gestos&lt;br /&gt;como se por detrás de eles houvesse uma alma,&lt;br /&gt;ainda um instante de alma, algum alívio.&lt;br /&gt;Por vezes uma humilde primavera&lt;br /&gt;apócrifa parecia despertar dentro de mim.&lt;br /&gt;E das janelas dos edifícios&lt;br /&gt;ou no vislumbre da velocidade dos carros&lt;br /&gt;o sol arremedava vigiar os meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no fim sentia que em tudo aquilo não estava eu,&lt;br /&gt;que no lado do mais além de todas as presenças&lt;br /&gt;a luz era um regueiro de cinza,&lt;br /&gt;o deserto puro da minha fantasia, a metafísica&lt;br /&gt;do meu próprio cansaço. Alguém não me deu a claridade de visão&lt;br /&gt;nem a mente clara para ver claras as coisas.&lt;br /&gt;Alguém talvez não pôs em mi demasiada lucidez&lt;br /&gt;para ver o mundo na sua infinita simplicidade:&lt;br /&gt;a rosa como rosa, o sol como sol,&lt;br /&gt;a terra como terra sem estar eu pelo meio.&lt;br /&gt;Sem estar o sonho de mim a invadir tudo.&lt;br /&gt;Sem estar este sonhado fantasma que me acompanha&lt;br /&gt;e a que chamo o nome que outros me dão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre soube que nunca me conheci&lt;br /&gt;pois também nunca pude conhecer o mundo.&lt;br /&gt;Tive de inventar-me quem era para, de vez em quando,&lt;br /&gt;me julgar em posse de um pouco de realidade.&lt;br /&gt;Tive de possuir um pouco de realidade&lt;br /&gt;para perceber a minha dimensão como homem:&lt;br /&gt;esta alma suja de dor, estes envelhecidos olhos pela passagem das insónias.&lt;br /&gt;Para perceber que entre conhecer-se e desconhecer-se&lt;br /&gt;o melhor é esquecer-se de si mesmo.&lt;br /&gt;Que para esquecer-me de mim apenas devia ser ninguém:&lt;br /&gt;a nuvem de pó de um remoto e solitário caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho os meus próprios paraísos químicos aqui junto da lareira,&lt;br /&gt;os meus dias e as minhas noites dedico-os a regressar a uma qualquer longínqua província&lt;br /&gt;do silêncio onde possa encontrar dentro da minha loucura&lt;br /&gt;um pouco de serenidade. Sim, hoje regressei ao sonho&lt;br /&gt;da morte como outra invenção,&lt;br /&gt;talvez como a única verdade dentro deste equívoco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que não sei é se pode morrer um morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em Nenhum Paraíso&lt;/em&gt; – Tradução de Joaquim Manuel Magalhães (Averno 017)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4533445684569851781-5593431309053702801?l=ed-averno23.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ed-averno23.blogspot.com/feeds/5593431309053702801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4533445684569851781&amp;postID=5593431309053702801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4533445684569851781/posts/default/5593431309053702801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4533445684569851781/posts/default/5593431309053702801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ed-averno23.blogspot.com/2007/12/ningum-acordei-toda-minha-vida-ao-mesmo.html' title=''/><author><name>Diego</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12926700743267698901</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
